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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

E agora, Prô? Autor: Mário Pires AZANHA


Curso para Empoderamento de Professores Alfabetizadores.



O professor Mário Pires AZANHA, sempre dizia que você poderia ler e até decorar um manual de instrução sobre como nadar, mas sem a prática da natação ao cair numa piscina morreria afogado. Assim é com a Educação muitos cursos de formação de professores separam a teoria da prática enquanto o movimento de reflexão-ação-reflexão só é possível por meio da relação entre ambas.
Venha participar do curso que propõe estudar e voltar-se a prática e após a prática voltar a refletir, como num moto perpétuo.

Alfabetização requer mais do que só método, diz ganhadora do Jabuti

A alfabetização é uma fase crucial. Segundo a Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA), 55% das crianças do 3º ano do ensino fundamental têm habilidades insuficientes de leitura.
 
Para a educadora e ganhadora do Prêmio Jabuti na categoria educação, Magda Soares, a alfabetização vai além de métodos, é preciso entender o processo cognitivo das crianças em cada fase.

Leia Matéria em http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2017/12/1945915-alfabetizacao-requer-mais-do-que-so-metodo-diz-ganhadora-do-jabuti.shtml?loggedpaywall

A falência do livro didático

Marisa Midori Deaecto é historiadora, profª. da Escola de Comunicações e Artes (ECA) e drª. Honoris Causa da Univ. Eger, Hungria.

“A família Ribeiro vive em um sítio, onde planta cana-de-açúcar. Toda a produção de cana-de-açúcar do sítio dessa família é vendida para uma fábrica da cidade. Na fábrica, a cana-de-açúcar é transformada em açúcar.
O açúcar consumido na casa da família Ribeiro é fabricado, na cidade, com a cana-de-açúcar plantada no próprio sítio da família Ribeiro.”

(Buriti – Geografia, 3. Organizadora: Editora Moderna. Obra coletiva, concebida, desenvolvida e produzida pela Editora Moderna. São Paulo: Editora Moderna, 2013, p. 105.)

Triste paisagem

Daqui a alguns anos com um pouco mais de sorte e se o livro didático assim o permitir, a mesma criança que passou por esse capítulo será introduzida em uma outra realidade socioeconômica: a da grande propriedade agroexportadora.

Sabemos que o plantio da cana e a produção de açúcar constituem, desde suas origens no Brasil colonial, um complexo fundado na casa grande, na senzala, no latifúndio e no engenho. A chegada da usina e, hoje, da grande indústria açucareira não alterou estruturalmente essa unidade. Leitores de José Lins do Rego, particularmente do “ciclo da cana-de-açúcar”, vão se lembrar de que os romances se iniciam no engenho e terminam quando este se encontra de “fogo morto”. O autor retrata a decadência do Nordeste açucareiro, nos anos de 1930, mas não a mudança da estrutura fundiária dessa região. Hoje o Estado de São Paulo desponta como a grande potência brasileira na produção de açúcar e álcool. No entanto, as tecnologias não romperam com um sistema de produção fundado na tríade: monocultura em larga extensão – ou seja, baseada no latifúndio, usina transformadora de matéria-prima em produto industrializado e mão de obra assalariada.

Nessa triste paisagem, o sítio da família Ribeiro, tal como descrito na citação anterior, não passaria de uma quimera. Se inserido em um debate mais amplo sobre a estrutura fundiária e a exploração do trabalhador rural, esse modelo bem se apresentaria como uma solução para o problema da desigualdade no Brasil.

Sabemos que o plantio da cana e a produção de açúcar constituem, desde suas origens no Brasil colonial, um complexo fundado na casa grande, na senzala, no latifúndio e no engenho. A chegada da usina e, hoje, da grande indústria açucareira não alterou estruturalmente essa unidade.

No entanto, o capítulo trata da relação entre campo e cidade! Para quem visita Ribeirão Preto, a paisagem diz mais do que palavras. Nessa região, estradas simples são tomadas por caminhões pesados, abarrotados de cana-de-açúcar. O tráfego é lento, pois esses veículos devem suportar duas ou até três carrocerias, donde os nomes “Romeu e Julieta” e “treminhão”. Ora, seria inimaginável pensar que esses caminhões pudessem adentrar nas rodovias para levar a cana à indústria situada na cidade. Não, eles trafegam em estradas vicinais, pois o transporte consiste em levar a cana da lavoura, a qual ocupa quilômetros a perder de vista, até a usina. Não é o só o fator logístico que justifica essa composição. Mas não é esse ponto.

Mercado editorial x escola

Livros didáticos movimentam a porção mais expressiva da indústria editorial brasileira, em exemplares produzidos e em capital gerado. Segundo os dados apurados pela Fipe, em 2016 o subsetor de didáticos foi responsável pela impressão ou reimpressão de 12.065 títulos, ou o equivalente a 220.458.397 exemplares. Em títulos, ele fica abaixo dos livros científicos, técnicos e profissionais (13.719) e de obras gerais (19.370), que abarcam um universo muito abrangente, excetuando apenas os religiosos (6.665). Porém, se considerarmos as tiragens, ou seja, os exemplares impressos, concluímos que a produção anotada no subsetor de didáticos supera a soma dos outros três subsetores (obras gerais + religiosos + CTP = 206.729.696). É preciso considerar, ainda, seu potencial de mercado, pois as vendas se destinam às escolas públicas (governo) e ao ensino privado. Diante dessas cifras, não é difícil concluir sobre sua força mobilizadora na indústria editorial e gráfica do Brasil.

Isso não se dá sem consequências. Cumpre ressaltar que os livros didáticos criaram sua própria rotina no mercado e no universo escolar.

As relações contratuais que demarcam a figura do autor e a do editor, seguindo um modelo multissecular de garantia do copyright, foram simplesmente abolidas em função da ideia de um novo projeto coletivo. Tal perspectiva podou a formação de novas gerações de autores surgidas na sala de aula ou nos quadros universitários. Para citar alguns nomes que marcaram época, pensemos em Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado Jr., Massaud Moisés, José Jobson Arruda, Carlos Guilherme Mota, Leo Huberman, Melhem Adas, José Dantas –, sem contar autores não menos clássicos nas áreas de Matemática, Biologia, Física e Química – foram substituídos por inscrições aparentemente democráticas, a exemplo do livro em questão: “Obra coletiva concebida, desenvolvida e produzida pela editora Moderna”. Um único nome impera, soberano e onisciente na folha de rosto: o da “editora executiva”. Ora, publishersnão escrevem livros. Editores também não os escrevem.

As relações contratuais que demarcam a figura do autor e a do editor, seguindo um modelo multissecular de garantia do copyright, foram simplesmente abolidas em função da ideia de um novo projeto coletivo.

Por trás dessa aparente democratização que dilui a figura do autor em nome de uma coletividade, senão, de um projeto pedagógico, todo o sistema educacional é colocado em xeque. Afinal de contas, são as escolas que desenvolvem projetos pedagógicos, não as editoras. Da mesma forma que são os autores que propõem metodologias de ensino, expressam suas visões de mundo, elaboram sistemas interpretativos. E, finalmente, cabe ao professor desenvolver seu próprio senso crítico e decidir, pela razão, sobre o melhor livro a ser adotado.

A culpa é de quem?

Ao engajar a comunidade escolar com pacotes completos de ensino, professores e alunos se tornam títeres de um sistema educacional fadado ao malogro. Coordenadores pedagógicos, sobretudo no sistema privado, desempenham o papel de gestores. Professores são engessados em métodos e cursos de complementação profissional que se resumem a lhes ensinar como empregar o livro didático em sala de aula. Alunos são conduzidos a deglutir conteúdos lúdicos, coloridos, mas cujos equívocos podem comprometer, no presente e no futuro, suas formas de entendimento do mundo e da ciência. Enquanto isso, a formação docente é acachapada por cursos rápidos de licenciatura que mais se assemelham ao imenso moedor de carne evocado nos anos 80 por Pink Floyd. Mas a culpa, nesse caso, não é dos professores!

A culpa é de uma máquina de produzir informações que não honra o valor do conhecimento gerado e reproduzido nas universidades brasileiras. Não falemos sobre o desrespeito ao profissional formado nas universidades, em suas diferentes áreas. A culpa é de um sistema de ensino articulado com o mercado editorial que não deixa margens para a expressão e a interação de professores e alunos na sala de aula. A culpa é dos pais que não dispõem de tempo para refletir sobre os conteúdos que são passados aos seus filhos.

Diante de uma paisagem triste e de difícil solução, apenas a mobilização de setores educacionais, mas, sobretudo, da comunidade escolar como um todo (pais, alunos, professores, coordenadores pedagógicos) será capaz de decretar a falência desse modelo de livro didático que desconsidera o direito de propriedade e o dever de responsabilidade intelectual. A falência moral de um projeto que apresenta impunemente conteúdos duvidosos e que coloca em segundo plano a capacidade de reflexão de professores e alunos, esta certamente já foi decretada.

Fonte: http://jornal.usp.br/artigos/a-falencia-do-livro-didatico/

Paulo Freire segue como patrono da educação

Sugestão Legislativa movida pelo Escola Sem Partido foi rejeitada no Senado
Por: CAROL SCORCE

A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal rejeitou na manhã desta quinta-feira 14 a Sugestão Legislativa que pretendia retirar do educador recifense Paulo Freire o título de patrono da educação brasileira.

O pedido para arquivar o projeto foi feito pela senadora do Rio Grande do Norte Fátima Bezerra. Junto da senadora durante a sessão estava Daniel Cara, como representante do Coletivo Paulo Freire por uma Educação Democrática, principal articulador na campanha pela manutenção do nome de Freire.

As Sugestões Legislativas surgem a partir de petições públicas informais, e devem ter no mínimo 20 mil assinaturas para serem acolhidas pelo Senado. O abaixo-assinado foi redigido por uma estudante de direito e membro do Escola Sem Partido, e teve amplo apoio do Movimento Brasil Livre. Se validada, ganha a força de um Projeto de Lei.

A ofensiva contra o nome e o legado de Paulo Freire provocou intensa reação na sociedade. O Coletivo lançou um manifesto pela manutenção do título ao educador, com aderência de milhares de educadores, pesquisadores, políticos, filósofos e sociedade em geral. A partir do manifesto outras ações foram articuladas, e contribuíam para que a intenção do projeto ultraconservador fosse rejeitada. Cara avaliou como “vitória a decisão da Comissão de Direitos Humanos contra o Escola Sem Partido e o obscurantismo.”

Ao final da sessão, a senadora afirmou que “só alguém que desconhece a grandiosidade da vida e da obra de Paulo freire na luta pela educação no Brasil e no mundo pode representar um recurso de maneira estupida como esse.”

Legado

Paulo Freire é um educador internacionalmente reconhecido, sendo um dos mais proeminentes nomes da Pedagogia e das Ciências Humanas. Foi laureado com 41 títulos de doutor honoris causa por universidades distribuídas por todo o mundo e intitulado professor emérito de cinco universidades, incluindo a Universidade de São Paulo (USP).

Também foi agraciado com títulos conferidos pela comunidade internacional, como o prêmio da Unesco de Educação para a Paz, em 1986. Secretário municipal de Educação entre 1989 e 1991, é ainda hoje considerado o melhor gestor educacional da história paulistana, aclamado presidente de honra da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime).

“Pedagogia do Oprimido” (1968), considerada sua obra-prima, é a terceira mais citada em toda a literatura das ciências humanas, segundo pesquisa realizada por Elliott Green, professor associado à London School of Economics.

Fonte: http://www.cartaeducacao.com.br/reportagens/paulo-freire-segue-como-patrono-da-educacao-brasileira/

Conhecendo André Gravata (parte II)

"MOMOTARO" O Menino do Pêssego

É uma lenda japonesa que conta a história de um menino enviado por Deus para um casal idoso que não tinha filhos. Ao completar 15 anos, por gratidão aos pais, o menino enfrenta uma viagem cheia de perigos até a ilha dos 'Ogros" para recuperar todos os bens saqueados de sua aldeia. Ao voltar ele vai de casa em casa devolvendo as riquezas do povo e por fim reencontra os seus pais.

Hoje aconteceu o lançamento do livro "INADIÁVEL" do André Gravata, encontrei o menino e a menina do pêssego, observem a capa, feita pela Serena. Pois é, depois de retornar da ilha dos ogros, a jornada do 'menino do pêssego', continua, ele encontra a 'menina do pêssego' seu grande amor e os juntos espalham 'boniteza' pelo mundo.


Conhecendo André Gravatá

Claudia Matos, educadora da Escola transformadora Shumacher.

André Gravatá, poeta e educador; Daniela Alvani, coordenadora da Escola Bartolomeu Campos de Queiros e Jany Nascimento.

Um lindo encontro entre gente que acredita no poder transformador da educação de qualidade para Todos. Nós três agradecemos pelo livro, gratidão André!

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Palestra Mario Sergio Cortella

Palestra na Escola Vital Brasil com Mario Sergio Cortella

Veja cinco pontos para qualificar a formação docente, segundo António Nóvoa

POR ANA LUIZA BASÍLIO

Você encontra similaridade entre a atuação de um professor e um médico? Acha que a formação desses profissionais pode, em alguma medida, dialogar? O reitor da Universidade de Lisboa, doutor em educação pela Universidade de Genebra, António Nóvoa partiu da análise da proposta formativa da Harvard Medical School para trazer reflexões sobre a formação docente no Brasil.

Em encontro realizado no Instituto Singularidades, em parceria com o Instituto Ayrton Senna, em São Paulo, na última quinta-feira (28/07), o especialista foi taxativo ao dizer que “formar um professor é formar um profissional da educação, assim como formar um médico”, fazendo menção à necessidade da atuação docente ser vista como uma profissão e, portanto, receber toda a importância de qualidade, recursos e investimentos.

Estudo de caso e reflexões

Nos últimos meses, Nóvoa se dedicou a estudar o programa de formação da universidade norte-americana e resgatou alguns pontos que, segundo ele, tornam o processo formativo mais significativo. Como primeiro ponto, o pesquisador apontou a cerimônia simbólica que marca a entrada dos recém formados na universidade. Estudantes, professores e médicos já atuantes entregam o jaleco aos egressos, “o que significa que toda a comunidade se responsabiliza pela formação dos futuros médicos”, ressaltou.

Outra questão, é o fato da universidade defender uma experiência individualizada como estratégia de formação, entendendo que cada sujeito tem um percurso próprio de aprendizagem a ser seguido. A condução formativa ainda se dá de maneira entrelaçada, se afastando de uma proposta estratificada de currículo. “Ele [o currículo] se apresenta integrado e integrador, aproximando a teoria e a prática em todos os momentos”, reconheceu.

Nóvoa também falou das matérias que acabam sendo desenvolvidas a partir de instrumentos, como explicou. “O tempo na universidade é utilizado para o estudo de casos e problemas, e não para as disciplinas, contribuindo para que haja uma visão integrada das questões que cercam a Medicina”. Isso se ancora em um ambiente colaborativo, em que se reconhecem um esforço de socialização, além de dinâmicas de inter-cooperação.

Por fim, o pesquisador citou o compromisso com a pesquisa e a ação, como forma de valorizar e sistematizar o conhecimento que é construído dentro da profissão, a partir de seus problemas reais. E 
também a ligação com o exterior, propondo diálogo permanente com a comunidade.

Dos médicos aos professores

Para Nóvoa, a agenda da formação docente incorre em um erro central. Ele coloca que muito se diz sobre o que os professores têm que ter ou fazer, de maneira geral, e pouco ou nada se diz sobre como cada professor pode se encontrar individualmente na profissão.

“Como que eu me formo como profissional, encontrando a minha própria maneira de ser professor, em conjunto com outros profissionais, pesquisando e agindo no campo institucional da escola, sem nunca exercer o exercício público da minha profissão?”, provocou.

A partir disso, o especialista elenca cinco pontos que, a seu ver, podem qualificar as práticas formativas iniciais e continuadas e consequentemente o percurso desses profissionais.

1. Disposição pessoal
Nóvoa defende que as formações docentes garantam espaços e tempos para um trabalho de autoconhecimento, de autorreflexão, de maneira que os professores partam de suas histórias pessoais, de vida, de sua subjetividade para então formatar a sua identidade profissional.

2. Composição pedagógica
Também entende a importância de que haja processos de composição pedagógica, que permitam aos professores fazerem diferentes elaborações e encontrarem seus próprios modos docentes, com autonomia e conhecimento profissional.

3. Interposição profissional
O trabalho, a seu ver, deve partir da socialização e da colaboração entre os pares, esforço que, em sua análise, deve estar presente desde o primeiro dia da formação. Nóvoa ainda defende que os percursos se deem em comunidades práticas de aprendizagem.

4. Proposição institucional
Reforça a necessidade dos docentes conquistarem seu espaço na escola, firmando a sua posição profissional e participando do projeto educativo da instituição, a partir de uma postura ativa, criadora e transformadora.

5. Exposição pública
Por fim, reconhece a importância de que os professores atuem em outros espaços além da escola, como na comunidade, e também nos espaços públicos da educação. “Hoje vejo fragilidade na presença dos professores nos espaços das políticas públicas educacionais, e é imprescindível que esse lugar seja ocupado”, finalizou.

E agora, Prô? Indica: Autora Cora Coralina – Poemas II


“O grande livro que sempre me valeu e que aconselho aos jovens, um dicionário. Ele é o pai, é tio, é avô, é amigo e é um mestre. Ensina, ajuda, corrige, melhora, protege. Dá origem da gramática e o antigo das palavras. A pronúncia correta, a vulgar e a gíria. Incorporou ao vocabulário todos os galicismos, antes condenados. Absolveu o erro e ressalvou o uso. Assimilou a afirmação de um grande escritor: é o povo que faz a língua. Outro escritor: a língua é viva e móvel. Os gramáticos a querem estática, solene, rígida. Só o povo a faz renovada e corrente sem por isso escrever mal.”Cora Coralina, em trecho do poema “Voltei”, do livro “Vintém de cobre: meias confissões de Aninha”. 6ª ed., São Paulo: Global Editora, 1997, p. 127. 



Aninha e suas pedras
Não te deixes destruir…
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.

Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.

Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.
Cora Coralina, em “Vintém de cobre: meias confissões de Aninha”. 6ª ed., São Paulo: Global Editora, 1997, p. 139.

E agora, Prô? Curiosidade

A origem do bronze.
Drummond em Copacabana, 1982
Foto de Rogério Reis

Carlos Drummond - 30 anos da morte do poeta

Nos 30 anos da morte de Carlos Drummond de Andrade, a Folhapublica especial com textos, análise e curiosidades sobre a vida e a obra do poeta de Itabira (MG), morto em 17 de agosto de 1987.
Acesse o site da Folha e aproveite essa viagem maravilhosa pela vida do escritor. 

"Claudia Jones, uma pan-africanista, feminista e comunista pouco conhecida"




Claudia Jones foi uma revolucionária cujo ativismo atravessou dois continentes, a América do Norte e a Europa. Claudia Vera Cumberbatch nasceu em 21 de fevereiro de 1915 em Belmont, Trinidad e Tobago, a terra que deu origem a grandes políticos como C.L.R. James, Eric Williams, George Padmore e Kwame Ture (anteriormente Stokely Carmichael). Ela e a família foram obrigadas a migrar para a cidade de Nova York durante os anos 1922-24, como resultado das dificuldades econômicas que eles experimentaram como membros da classe trabalhadora de Trinidad.

Ela adotou o sobrenome “Jones” como medida de proteção na realização de seu trabalho de organização com o Partido Comunista dos EUA (CPUSA). A ação não era incomum, dada a histeria anticomunista e a perseguição contra os comunistas nos Estados Unidos. Claudia morreu na terra de seu exílio, Grã-Bretanha, em 25 de dezembro de 1964. Curiosamente, seu último lugar de descanso está localizado à esquerda de Karl Marx, no Cemitério Highgate em Londres.

Ela contribuiu para o trabalho do CPUSA como jornalista, editora, líder, teórica, educadora e organizadora de 1936 até a sua deportação em dezembro de 1955. Trabalhou para o jornal do partido Daily Worker, atuou como editora da revista da Young Communist League (YCL) Weekly Review, foi diretora estadual de educação e presidente estadual da YCL, tornou-se membro de pleno direito do CPUSA em 1945, e foi eleita para o Comitê Nacional da CPUSA em 1948, assumiu o cargo de Secretária da Comissão de Mulheres do CPUSA, atuou em várias funções e em outras publicações do partido. Claudia foi presa três vezes por causa de seu trabalho na CPUSA. Ela foi condenada sob o Ato Smith que visou os líderes do CPUSA e cumpriu oito meses de prisão.

O professor Errol Henderson da Universidade Estadual de Pensilvânia sobre a relevância política de Claudia Jones:

“Ela era brilhante e incisiva. Ela forneceu o componente feminista da análise marxista, juntamente com a incorporação incisiva de Haywood da "cultura negra", que ela apoiou e ampliou ... uma mente excepcional ... e sua deportação dos EUA foi uma grande perda para a luta de libertação aqui, mas um ganho para a do Reino Unido, onde ela fez mais contribuições”.

Jones usou o espaço organizacional do CPUSA para promover a causa do antirracismo, da paz mundial, da descolonização e da luta de classes. Além disso, utilizou-se de suas várias funções e recursos do partido comunista para promover a libertação das mulheres em geral, e das mulheres da classe trabalhadora afro-americana em particular.

É uma grande injustiça da história que o trabalho de Claudia Jones seja pouco conhecido entre os radicais que podem tirar lições de sua abordagem integrada para eliminar o racismo, o capitalismo, o patriarcado e o imperialismo. Neste período da política do identitarismo vulgar é fundamental para nós destacar a contribuição desta revolucionária, cujo ativismo foi guiado por uma orientação política anticapitalista, crítica, anti-opressão e anti-imperialista.

A professora Carole Boyce Davies, em seu livro: “À esquerda de Karl Marx: a vida política da comunista negra Claudia Jones”, forneceu explicações para a invisibilidade de Claudia:

“O estudo das mulheres comunistas negras continua sendo um dos mais negligenciados nos estudos contemporâneos sobre mulheres negras por inúmeras razões, Joy James identifica uma: a revolucionária permanece à margem, mais do que qualquer outra forma de feminismo negro. ‘Este tipo de negligência pela maioria dos acadêmicos feministas não é surpreendente. A maioria desses pesquisadores burgueses não são socialistas / comunistas e, como tal, não são atraídos por assuntos associados ao comunismo".

A contínua experiência de Claudia com a classe trabalhadora, e da sua família na sociedade americana, ajudou a moldar seus compromissos políticos feministas e antirracistas na luta de classes:

“Foi fora das minhas experiências de Jim-Crow como uma jovem negra, mas de experiências também nascidas da pobreza da classe trabalhadora, que me levaram a juntar-se à Liga dos Jovens Comunistas e escolher a filosofia da minha vida, a ciência do marxismo-leninismo - filosofia que não só rejeita ideias racistas, mas é a antítese delas”.

Como mulher da classe trabalhadora e africana, a experiência vivida por Claudia proporcionou-lhe uma ampla compreensão do patriarcado. O exemplo mais claro de sua compreensão e análise da opressão das mulheres africanas está presente no artigo Um fim à negligência dos problemas da mulher negra! Publicado em 1949. Muito antes do desenvolvimento da análise interseccional na década de 1970, por feministas e homossexuais afro-americanas, como expressa na Declaração Coletiva do Rio Combahee, Jones já utilizava essa abordagem para analisar as múltiplas formas de opressão que assolam a vida das mulheres afro-americanas da classe trabalhadora.

A preocupação de Jones com a libertação das mulheres se concentrou em mudar as condições econômicas, sociais e políticas desiguais destas, e não na obsessão cultural e psicológica encontrada nos atuais círculos da política de identitarismo vulgar:

“Para o movimento das mulheres progredir, a mulher negra, que combina em seu status o trabalhador, o negro e a mulher, é o vínculo vital, pois carrega a possibilidade de uma tomada consciência política elevada. Na medida em que, além disso, para que a causa da mulher negra seja promovida, ela deve ser impulsionada a ocupar seu lugar legítimo na liderança proletária negra do movimento de libertação nacional e em sua participação ativa contribuirá para toda a classe trabalhadora americana, cuja missão histórica é a conquista de uma América socialista - a garantia final e total da emancipação da mulher”.

O Estado capitalista e as corporações do Norte do globo exploram os recursos e os trabalhadores e dominam as economias e as sociedades do Sul do globo. De acordo com Davies, em “À Esquerda de Karl Marx”, “a política anti-imperialista de Claudia Jones vinculou as lutas locais de negros e mulheres, contra o racismo e a opressão sexista, às lutas internacionais contra o colonialismo e o imperialismo”. O pan-africanismo de Jones defendeu a liberdade dos povos caribenhos e africanos do colonialismo.

Na Grã-Bretanha, duas das notáveis conquistas de Claudia Jones foram a criação do Carnaval de Notting Hill e da Gazeta das Índias Ocidentais. Uma parte do epitáfio em sua lápide diz: “Lutadora valente contra o imperialismo e o racismo que dedicou sua vida ao progresso do socialismo e à libertação de seu próprio povo negro”.

Deveriam ter acrescentado: “Defensora assertiva do feminismo socialista”.

Escrito por Ajamu Nangwaya
Traduzido por F. Fernandes

Fonte: https://www.novacultura.info/single-post/2017/07/26/Claudia-Jones-uma-pan-africanista-feminista-e-comunista-pouco-conhecida

Formação de Professores 4

O problema dos estágios, que deveriam ser formadores e possibilitar aos estudantes a reflexão por meio da vivência da sala de aula juntamente com um professor mais experiente na maioria das vezes são mera burocracia.

"As faculdades não providenciam convênios com escolas ou redes para fazer um projeto de trabalho dos estagiários junto aos professores da rede."
Bernardete Gatti

Formação de Professores 3

Em muitos países o professor universitário que forma professores mantém o pé na escola.

"Essas iniciativas têm em comum o fato de preservar a vivência em sala de aula do professor universitário. Aquele docente que formará o professor trabalha em pesquisa, dá aula na universidade, mas não perde o vínculo com o que ocorre na educação básica."
Bernardete Gatti














Sobre a reportagem: "Não concordo com a posição da autora sobre exame tipo OAB para professores." Jany

Formação de Professores 2


"A gente constata em entrevistas e em pesquisas com docentes das faculdades que eles não têm a noção de que estão formando um profissional da Educação, que vai para a sala de aula lidar com crianças e adolescentes. Eles trabalham para formar intelectuais e pesquisadores. "

Bernardete Gatti




Fonte:http://epoca.globo.com/educacao/noticia/2016/11/bernardete-gatti-nossas-faculdades-nao-sabem-formar-professores.html

Formação de Professores 1

Alguns professores do curso de pedagogia NUNCA alfabetizaram uma pessoa na vida, mas vão ensinar como fazer isso.

"O problema da formação de professores começa na faculdade. Os docentes de pedagogia e das licenciaturas – de matemática, língua portuguesa, biologia etc. – não sabem ensinar para quem dará aula"
Berdardete Gatti

Fonte:http://epoca.globo.com/educacao/noticia/2016/11/bernardete-gatti-nossas-faculdades-nao-sabem-formar-professores.html

Sobre a reportagem: "Não concordo com a posição da autora sobre exame tipo OAB para professores." Jany

PARA AGUENTAR TANTA OPRESSÃO POLÍTICA!

Volto armado de amor
Thiago de Mello

Volto armado de amor
para trabalhar cantando
na construção da manhã.
Amor dá tudo o que tem.
Reparto a minha esperança
e planto a clara certeza
da vida nova que vem.

Um dia, a cordilheira em fogo,
quase calaram para sempre
o meu coração de companheiro.
Mas atravessei o incêndio
e continuo a cantar.

Ganhei sofrendo a certeza
de que o mundo não é só meu.
Mais que viver, o que importa
(antes que a vida apodreça)
é trabalhar na mudança
de que é preciso mudar (...)


terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

E agora, Prô? Autor: Lima Barreto





Lima Barreto

A obra do escritor carioca Lima Barreto estará em discussão na 15ª Flip, que acontece de 26 a 30 de julho de 2017.

A edição resgatará a trajetória de um homem que estabeleceu-se como escritor no Rio de Janeiro, capital da Primeira República e da cultura literária do país. Em um meio marcado pela divisão de classes e pela influência das belas letras europeias, era difícil para um autor brasileiro com as suas origens afirmar seu valor. Foram necessárias várias gerações para que se consolidasse o nome do criador de uma das obras mais plurais e inovadoras da literatura brasileira, que permite tanto o apreço do leitor quanto reflexões nos campos da literatura, da história e das ciências sociais.

Sobre o autor
Afonso Henriques de Lima Barreto nasce no Rio de Janeiro em 13 de maio de 1881. Perde a mãe, Amália Augusta, escrava liberta e professora, quando tinha seis anos, ficando sob os cuidados do pai, o tipógrafo João Henrique, que, poucos anos depois, é diagnosticado como neurastênico, o que o levaria a ficar recolhido pelo resto da vida. A doença do pai o obriga a deixar a Politécnica para sustentar a família como Amanuense do Ministério da Guerra.

Inicia sua colaboração regular para a imprensa em 1905, no Correio da Manhã. O jornal, extinto em 1974, serviu de inspiração para a criação de Recordações do Escrivão Isaías Caminha, publicado em 1909. Pelas críticas à imprensa no livro, Lima Barreto é retirado do quadro de colaboradores do Correio da Manhã e tem proibida qualquer citação ao seu nome nas páginas do diário, mesmo trinta anos depois de sua morte. Passa a colaborar, sob pseudônimo, para revistas como a Fon-Fon e Revista da Época, fazendo uma crítica social e política do Rio de Janeiro e o Brasil.

Em 1911, escreve e publica Triste fim de Policarpo Quaresma em folhetim do Jornal do Comércio. O livro seria editado em livro quatro anos depois.Lima, devido ao alcoolismo, é internado pela primeira vez no hospício em agosto de 1914, repetindo a tragédia pessoal de seu pai. A primeira internação serve, contudo, de inspiração para sua obra a posteriori.

Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá, livro que dialoga com o gênero biográfico, é publicado em 1919. No dia 25 de dezembro deste ano, o autor é internado pela segunda vez. 

Lima Barreto morre, aos 41 anos, em 1º de novembro de 1922, Dia de Todos os Santos. No dia 3 de novembro, morre seu pai.

Clara dos Anjos, livro que foi escrito e reescrito durante quase toda a vida de Lima, é publicado em livro no mesmo ano de sua morte.

A obra de Lima Barreto passa por um resgate e uma refundação a partir da biografia publicada por Francisco de Assis Barbosa, A vida de Lima Barreto, e da recuperação de seus escritos, feita a partir do acervo pessoal catalogado pelo próprio autor.

O autor torna-se objeto de estudo de intelectuais de referência em diversas áreas da inteligência brasileira, como Antonio Candido, Nicolau Sevcenko, Osman Lins, Alfredo Bosi, Antonio Arnoni Prado, Beatriz Resende e Lilia Schwarcz.
“Por muito tempo Lima Barreto ficou na ‘aba’ de literatura social, e sua obra e trajetória possibilitaram muitos debates sobre a sociedade brasileira. O que eu gostaria, mesmo, é que a Flip contribuísse para revelar o grande autor que ele é. Para além das questões importantíssimas sobre o país que ajuda a levantar, tem uma expressão literária inventiva e interessante, à frente de sua época em termos formais, capaz de inspirar toda uma linhagem da literatura em língua portuguesa”, afirma Joselia Aguiar, curadora da Flip 2017.

“O Lima é o autor de um território. O universo literário dele é determinado pela criação da Avenida Central, do Rio de Janeiro, que estabelece os diferentes graus de distância dos subúrbios com a Zona Sul e o Centro da Cidade”, afirma Mauro Munhoz, diretor-geral da Flip. “O olhar do Lima sobre a variedade de personagens brasileiros – seja nos subúrbios, seja nas regiões centrais – é determinado pela experiência do território onde viveu por quase toda a vida. Desse modo, sendo um grande autor, ele fez valer a máxima ‘Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia’, do Tolstói.”

Fonte: http://flip.org.br/edicoes/flip-2017/homenageado