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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

#Encceja: confira como retirar o certificado de conclusão do Ensino Médio

As orientações são destinadas aos participantes que indicaram a Secretaria da Educação como instituição certificadora

Os aprovados na edição do Encceja 2017, que indicaram a Secretaria da Educação como instituição certificadora, já podem conferir orientações para a retirada do certificado de conclusão do Ensino Médio. Para solicitar o documento, basta selecionar o local para a retirada e imprimir o seu protocolo clicando aqui.

Os participantes que concluíram o Ensino Médio por meio de aprovação no Encceja, com o aproveitamento de áreas/disciplinas eliminadas em exames anteriores deverão enviar o pedido e a documentação necessária para uma Diretoria de Ensino. A orientação também vale para aqueles que desejam solicitar o atestado de eliminação de áreas de conhecimento. Clique aqui e consulte endereços e telefones das Diretoria de Ensino.

Confira aqui o comunicado com a relação de documentos para solicitar o certificado e todas as orientações sobre a certificação do Encceja 2017, que foi publicado pela Coordenadoria de Informação, Monitoramento e Avaliação (CIMA).

Sobre o Encceja 2017

A lista de aprovados no Encceja 2017 foi disponibilizada na Página do Participante no site do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira).

Para solicitar o certificado do Ensino Médio, o participante deve ter atingido o mínimo de 100 pontos em cada uma das áreas de conhecimento do Encceja. No caso de Linguagens e Códigos e suas Tecnologias no Ensino Médio, o candidato deverá adicionalmente obter proficiência na prova de Redação para obter certificação. Será considerado habilitado na Redação, o participante que obtiver nota igual ou superior a cinco pontos.

O exame garante o certificado de conclusão do Ensino Médio aos que não se formaram na idade certa. Além do Encceja, a Educação oferece outras opções para a conclusão dos estudos que podem ser consultadas por meio da página de Educação de Jovens e Adultos

Curso gratuito para adolescentes com defasagem no processo de ensino e aprendizagem

Escolarização de Adolescentes com Defasagem no Processo de Letramento
Curso gratuito elaborado a partir de uma parceria entre Projeto Quixote e Instituto Sedes Sapientiae.
Terças-feiras, das 14h00 às 18h00, de 13/03/2018 a 26/06/2018 (com uma aula a ser realizada num sábado previamente combinado com o grupo). Carga horária: 64 horas.
Local: na Rua Ministro Godoy, 1484, Perdizes, São Paulo, SP.
Nº vagas: 35 (trinta e cinco).
Inscrição de 31/1 a 5/3 de 2018.
Processo seletivo: Será necessária a entrega de currículo resumido e de carta de intenção no ato da inscrição, pois haverá seleção dos inscritos.
Publicação dos resultados: 08 de março de 2018, às 14h00.

Objetivo: Capacitar profissionais das áreas de educação, saúde, serviço social, entre outros, para implementar oficinas de letramento e alfabetização para adolescentes com defasagem no aprendizado da leitura e da escrita; propiciar um espaço de reflexão sobre aspectos teóricos e práticos que subjazem aos processos de letramento e alfabetização, a partir da discussão das características sociológicas, linguísticas e psicopedagógicas envolvidas nesses processos; fornecer instrumentos para identificar o conhecimento prévio, as dificuldades e as necessidades dos adolescentes a serem atendidos pelas oficinas.

Corpo docente: Aglael Gama Rossi, Aline Jardim Vasconcelos, Maria do Carmo Albuquerque, Marlene Coelho Alexandroff.
Monitora: Cristiane Lopes.

Conteúdos: a adolescência como fase do desenvolvimento e suas características; o contexto social e familiar do adolescente excluído do processo escolar; a concepção de letramento e alfabetização, incluindo uma ampla discussão sobre as diferentes possibilidades de letramento presentes no cotidiano; as características linguísticas do processo de aprendizado da leitura e da escrita, com base em conceitos e análise de dados da escrita de crianças e adolescentes de diferentes idades e em diferentes momentos do processo; aspectos metodológicos das oficinas a serem implementadas, tendo em vista a transposição das linguagens artísticas para a leitura e escrita propriamente ditas; elaboração das propostas pedagógicas para as oficinas de letramento e alfabetização a serem realizadas com os adolescentes.

Mais informações e inscrições: https://sedes.org.br/site/cursos-sedes/escolarizacao-de-adolescentes-com-defasagem-no-processo-de-letramento-curso-novo-e-gratuito/

Censo: Em dez anos, matrículas públicas do ensino básico caem 18%

Dados ainda são preliminares e mostram que EJA foi o que teve maior queda.

RIO - Os dados preliminares do Censo Escolar 2017 revelam uma queda de 18% no número total de matrículas da rede pública nos últimos dez anos. Em 2007, cerca de 46 mil estudantes se matricularam no ensino infantil, fundamental, médio e na educação de jovens e adultos. Dez anos depois, este número caiu para 37.549.814. Somente um destes segmentos teve crescimento nesse período: o ensino infantil (creches e pré-escolas) com 22%. O levantamento produzido pelo Ministério da Educação (MEC) só se torna oficial depois de validado pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Na outra ponta, os dados mostram outra realidade. A educação de jovens e adultos caiu 41% neste período. Em 2007 eram 4.848.108 matrículas, no último registro caiu para 2.858.145. Em valores absolutos, a maior redução está no ensino fundametal. Foram quase 7 milhões de matrículas a menos nesses dez anos, o que equivale a um percentual de redução de 23,97%.

O censo, publicado no Diário Oficial desta sexta-feira, ainda detalha o número de matrículas por cidade e estado e precisará ser validado pelo TCU para que o Ministério da Educação possa publicá-lo em sua versão final. São com estes números que a pasta determina o repasse de recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).

Em relação ao ano passado, os números de matrículas tiveram uma leve queda. Eram 37,9 milhões e foi para 37,4 milhões. Neste recorte é possível perceber um aumento discreto do ensino fundamental, médio e da educação de jovens e adultos: os mesmos que tiveram decréscimo na série histórica. O ensino infantil, que corresponde a creche e a pré-escola, tiveram uma queda no último ano frente a uma expansão na última década.

Fonte: https://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/censo-em-dez-anos-matriculas-publicas-do-ensino-basico-caem-18-21799966

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Tetê recebendo o diploma de alfabetização

Este ano foi muito especial para Tetê. Ela agradece a todos os amigos que fizeram do ano dela ainda mais especial um ano mais colorido e amoroso 2014.
A Foto mais especial do ano: Tetê recebendo o diploma de alfabetização no dia do seu aniversário de 83 anos.. 

Gravação de aula para Pós-Graduação

Alfabetização de Jovens e Adultos

Discutir a Educação de Jovens e Adultos é fundamental em um país com milhões de pessoas que foram excluídas do Direito a Educação.

Prefeitura de Porto Alegre restringe Educação de Jovens e Adultos (EJA)



Depois de anunciar o fim do Unipoa e do Pré-Vestibular Municipal, a prefeitura de Porto Alegre agora restringirá as matrículas para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) a apenas um local: o Centro Municipal de Educação dos Trabalhadores (CMET) Paulo Freire. No ano passado, as matrículas para a modalidade foram oferecidas em 33 escolas.

Conforme a secretária de Educação em Exercício, Ivana Genro Flores, o município está direcionando as matrículas ao CMET “para avaliar a demanda” pela modalidade e há a “possibilidade de abrir turmas em outros locais”. No entanto, ela não soube informar quantos alunos seriam necessários para ofertar a EJA fora do CMET neste semestre. “Isso dependerá da demanda. Queremos ver a nossa necessidade de vagas para a EJA, que é muito pequena”, explicou.

Ivana completou que é preciso que a modalidade seja oferecida em um local próximo do trabalho dos estudantes, “e não perto de sua casa”. Esse seria um dos motivos pela escolha do CMET, que fica no bairro Santana. “Dados estatísticos mostram que um grande percentual de moradores de Porto Alegre vêm ao Centro para trabalhar”, completou. Além disso, 756 dos 6.233 alunos da EJA na Capital estudam no Paulo Freire.

Outro motivo, segundo a secretária, seriam turmas pequenas em outras escolas, como por exemplo de 18 alunos. Questionada sobre a possibilidade da medida motivar a desistência das pessoas que não conseguirão ir ao Centro para estudar, Flores respondeu que “as pessoas precisam estar bem atendidas e que ninguém vai ficar sem vaga”. A mudança vale apenas para as novas matrículas. Os alunos que já cursam a EJA poderão concluir os estudos na escola que frequentam, garantiu a secretária.

Especialista afirma que a medida decreta a morte da EJA

Já para a professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Pucrs e pesquisadora da EJA, Mónica de la Fare, a medida da prefeitura decreta a morte da modalidade. “Já estamos com uma oferta limitada em Porto Alegre, porque a maioria das escolas oferece a EJA à noite, o que dificulta o acesso de algumas mães e avós que entrevistamos. Para elas, o ideal seria frequentar a escola no mesmo turno que os filhos e netos”, afirma.

A pesquisadora alerta que a modalidade deve atender a todas as pessoas que não completaram o ensino básico na idade certa, o que abrange desde jovens de 18 anos a idosos com mais de 60. Por isso, a oferta de locais deve ser ampliada, e não limitada, como fez a prefeitura. “Tem a questão de transporte e de segurança, que precisam ser levadas em conta, por isso a proximidade da residência é uma questão fundamental. Isso que estão fazendo é decretar a morte da EJA”, argumenta.

Fare também questiona o argumento da prefeitura de que algumas turmas da modalidade seriam muito pequenas. “Se as turmas estão pequenas, é preciso iniciar um trabalho para saber o motivo das pessoas não procurarem mais a escola. A evasão tem muitos fatores, entre eles falhas do próprio Estado”, afirma a pesquisadora.

Conforme a professora, a restrição da oferta a apenas uma escola vai contra o que prevê a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e aos compromissos assumidos pelo Brasil em tratados internacionais de educação. “É um absurdo, pois significa impossibilitar o acesso à educação”, conclui.

Vereador protocolou pedido de manutenção do Unipoa e do Pré-Vestibular Municipal

O vereador André Carús (PMDB) protocolou na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, na manhã desta quinta-feira, uma indicação ao Executivo pela manutenção dos programas Unipoa e Pré-Vestibular Municipal. Ele pede a realização de estudo técnico, orçamentário e financeiro para que as ações sejam mantidas. Os dois programas tiveram o fim anunciado na semana passada.

A prefeitura alegou não ter obrigação constitucional para a função e ter “foco na Educação Infantil e no Ensino Fundamental, áreas nas quais concentra esforços para reverter um déficit de aproximadamente 10 mil vagas”. Os alunos já inscritos no Unipoa poderão seguir no programa até a graduação.

Criado em 2010, o Unipoa estipula que universidades privadas de Porto Alegre ofereçam bolsas de estudos em número equivalente a 4% das matrículas efetuadas no semestre letivo anterior. As bolsas eram integrais ou parciais (50% no valor das taxas e mensalidades). Atualmente, 1.216 alunos são beneficiados com as bolsas.

A secretária de Educação em Exercício garantiu que os os estudos serão feitos pela Secretaria da Fazenda e que o foco da prefeitura é atender “com competência a Educação Infantil”, competência do município. “Além disso, o Tribunal de Contas do Estado questiona por que a prefeitura oferta programas de Ensino Superior se temos déficits na Educação Infantil. Temos que organizar o recurso financeiro”, concluiu.

Por Fernanda da Costa
Fonte: http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/Geral/2017/7/623512/Prefeitura-de-Porto-Alegre-restringe-Educacao-de-Jovens-e-Adultos-EJA

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Exposição Somos Brasil

Uma história revelada num clique. Quem vê a foto de Tetê por Marcus Lyon (Somos Brasil a ser lançado quinta-feira 09/03) pode imaginar sua trajetória de 86 anos, seus sonhos acalentados, suas mãos de quem lidou na roça, sua fé inabalável na vida. Ela nunca imaginou que iria se alfabetizar aos 82 e que se transformaria numa artista incrível e fonte de inspiração para muito gente.

Segue abaixo um poema falado por ela, transcrito pela professora Jany Dilourdes inspirado no poema de mesmo nome da maravilhosa Cora Coralina. 
Nossa homenagens a todas as Tetês que ainda não se descobriram por esse mundo afora.



















ESTAS MÃOS
Therezinha Brandolim

Estas mãos
Faziam de um tudo!
Desde os 8 anos
ia com a enxadinha
carpindo atrás do meu pai
Ia com meu avô levar a comida do meu pai
meu avô ia na frente e eu ia atrás
As vezes levava um tropeção
e o caldeirãozinho
ia parar no chão

Estas mãos fizeram muitas coisas!
Ajudou a plantar arroz, feijão, milho,
algodão...
A escola era um passeio
quando chegava a colheita, lá ia
eu trabalhar

Depois casei e vieram os filhos: um,
depois o outro e mais um...
Uma grande alegria!
Mudamos para o Paraná
Sempre trabalhando

Os meninos iam para escola a pé
Para as meninas foi mais fácil
Em São Paulo, as escolas eram mais perto
Casou o filho mais velho
O filho mais novo

Perdi meu companheiro!
E estas mãos continuaram trabalhando

Depois de muita luta
Chegou a aposentadoria
Finalmente a vida ficou mais tranquila
E agora estas mãos fazem pão
e pinta quadros

Mas, meu coração estava sempre
na leitura e na escritura
Hoje estas mãos abençoadas
já estão escrevendo
Eu estou lendo!
Eu não queria morrer sem saber ler,
era meu sonho!


A História de Dona Leozira

Acreditamos que a educação tem o poder de transformar a vida das pessoas! E encontramos uma boa maneira de exemplificar essa filosofia: Dona Leozira, de 74 anos, foi alfabetizada adulta e nos conta como saber ler e escrever modificou totalmente a sua rotina. Não há palavras melhores para celebrar este Natal, já que a alfabetização é o melhor presente que uma pessoa pode ganhar!




"Querida Dona Leozira, foi uma honra ser sua professora, a senhora trabalhava, já tinha criado os filhos e ainda estudava é maravilhoso saber como a alfabetização pode ajuda lá a ter mais autonomia."- Jany Dilourdes


Bete da Hora Oi pessoal, eu sou filha da dona Leozira e venho dar o meu muito obrigada Jany Dilourdes Nascimento por tudo que fez pela minha mãe , sou muito grata a vcs e acreditem tenho muito orgulho desta guerreira! !



Fonte: https://www.facebook.com/PearsonBrasil/videos/712721805575107/?hc_ref=ARS6O2FyvnxdeXp2l36kjyq7_wX_-RFcnPjZ80wGksjqakFmkRmFzNov-C6Hq-5HqnM

Com 12,9 milhões de analfabetos, Brasil não bate meta do Plano Nacional de Educação

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), a taxa de analfabetismo estava em 2015 em 8%, ou seja, 1,5 ponto porcentual acima da meta.



RIO - O Brasil não atingiu a meta do Plano Nacional de Educação (PNE), que, em 2014, estipulou que, até 2015, 93,5% da população acima de 15 anos deveria estar alfabetizada. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), que o IBGE divulgou nesta sexta-feira, a taxa de analfabetismo estava em 2015 em 8%, ou seja, 1,5 ponto porcentual acima da meta.

A taxa de analfabetismo segue em tendência de queda no País, no entanto os avanços são lentos. O porcentual de analfabetos entre as pessoas com mais de 15 anos era de 11,5% em 2004 e passou a 8,3% em 2014. Para 2015, a diminuição no contingente de analfabetos foi de 800 mil pessoas.

O PNE foi lançado em 2014 para estipular diretrizes e estratégias para a política educacional no País na década 2014-2024.

A pior taxa de analfabetismo está no Nordeste, 16,2% da população; a mais baixa é verificada no Sudeste, 4,3%. Em todo o País, a redução dos índices esbarra na dificuldade de alfabetizar adultos acima de 40 anos, especialmente os idosos. Entre as pessoas com mais de 40 anos, 30,8% não sabem ler nem escrever (em 2014, eram 32,3%). São brasileiros que não se alfabetizaram quando crianças e não foram atingidos por políticas públicas de ensino voltadas a adultos.

Já o número de anos de estudo está em 7,8 no Brasil, mais uma vez, com diferenças regionais: a média é de 8,5 anos no Sudeste e de 6,7 no Nordeste. 

Série Jornal da Record: analfabetos vencem dificuldades e mostram suas habilidades

O Jornal da Record apresentou esta semana uma série intitulada: Mundo sem letras, fui entrevistada na sexta feira, mesmo dia que a Tetê, confiram.
 

Alguns brasileiros analfabetos superaram o preconceito e mostraram que são capazes de ter sucesso em algumas áreas. Seu Pereira, por exemplo, um dia ganhou algumas caixas de refrigerantes, vendeu e abriu uma pequena venda que está sempre cheia na comunidade onde vive.

Maria Clara Di Pierro: “Perdemos 3,2 milhões de matrículas na Educação de Jovens e Adultos”

A educadora da Faculdade de Educação da USP diz que o programa não se adéqua às necessidades de adultos que precisam estudar e trabalhar.



















No Brasil, pessoas entre 4 e 17 anos são obrigadas por lei a estudar. Quem não se encaixa nessa faixa etária ou está numa idade muito defasada em relação ao ano que deveria estar cursando – como um jovem de 16 anos que ainda está nos primeiros anos do fundamental – pode contar com a  Educação de Jovens e Adultos (EJA). Hoje, a EJA é a alternativa oferecida pelo Estado para dar educação àqueles que não tiveram acesso ou desistiram da escola. O sistema de educação para adultos é de extrema importância para a formação de cidadãos, conscientes de seus deveres e direitos, e para a economia do país. Agregar educação significa agregar produtividade. Essa é uma área em crise no país.
Segundo o Censo Escolar da Educação Básica de 2014, as matrículas em EJA vêm caindo drasticamente nos últimos anos. Em 2006, mais de 8,3 milhões de brasileiros acima dos 15 anos voltaram a frequentar a escola. Oito anos depois, foram registradas 3,2 milhões de matrículas a menos na modalidade. “Essa queda mostra uma regressão. Vai na contramão dos direitos educativos já consolidados na nossa legislação”, afirma Maria Clara Di Pierro, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em educação de adultos.

Segundo ela, “a EJA é uma ferramenta preciosa para o desenvolvimento de qualquer país”. Especialmente do nosso, que tem cerca de 13 milhões de analfabetos. Dados do IBGE de 2014 estimam que o número represente 8,7% da população acima de 15 anos. Quando o critério é o analfabetismo funcional, os índices são ainda piores: 27% dos brasileiros são capazes de decodificar letras e números, mas não compreendem o que leem.
Em entrevista a ÉPOCA, Maria Clara apresentou possíveis motivos para a queda da procura de adultos por instrução e comentou a importância de investir mais nesse tipo de ensino. “A lógica de investir nas novas gerações e esperar os mais velhos morrerem é equivocada. Não é possível esperar as crianças crescerem para o país se desenvolver.”
ÉPOCA - A que a senhora atribui a diminuição expressiva do número de matrículas na EJA?
Maria Clara Di Pierro - Desde 2007, essa diminuição vem se manifestando. É uma queda contínua, que atinge as redes pública e privada, os ensinos fundamental e médio, as redes estadual e municipal. É um fenômeno que aparece como paradoxo. Em 2007, durante o segundo mandato do Lula, Fernando Haddad, que era ministro da Educação, inclui a EJA nos programas de assistência estudantil do governo. Ela passa a ter um livro didático, direito à merenda e ao transporte. Além disso, começa a receber recursos do Fundeb [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação]. Com isso, em tese, aquelas condições precárias que passamos anos e anos denunciando estariam no caminho para ser superadas. No entanto, na contramão das expectativas, foi a partir daí que a demanda passou a cair. Estamos pesquisando para compreender esse fenômeno, mas ainda não há uma resposta cabal para sua pergunta. Apresento quatro hipóteses de ordens distintas que, juntas, estariam operando para a queda do número de matrículas. 
ÉPOCA - Quais são essas hipóteses?
Maria Clara - A primeira delas tem a ver com o mercado de trabalho. Durante o período em que a economia e as taxas de emprego cresceram, o mercado absorveu mão de obra mesmo com baixa qualificação, segundo dados do Pnad [Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios]. Ou seja, a pressão no mercado de trabalho não estaria operando em favor de as pessoas retomarem o estudo. Se for essa a lógica, deveremos verificar um aumento da procura por matrículas nos próximos anos, já que o mercado de trabalho está mais seletivo.
A segunda hipótese é que ainda não construímos uma cultura do direito à educação ao longo da vida. O mesmo não acontece com a cultura do direito à educação na infância e na adolescência, que vem sendo construída desde a redemocratização. Hoje, é inaceitável que uma criança esteja fora da escola na chamada idade escolar. Uma mãe analfabeta, com muito baixa escolaridade, vai brigar pelo direito do filho a ter uma vaga na escola. Mas provavelmente não brigará pelo dela. Ela não se vê como alguém que tem direito à educação.
ÉPOCA - O que poderia ser feito para construir a cultura do direito à educação ao longo da vida?
Maria Clara - Falta atitude convocatória do poder público. Mobilizar adultos para estudar é difícil em vários países. Nessa etapa da vida, a educação vai competir com outras esferas prioritárias da vida: trabalho, família, atuação social e prática religiosa, por exemplo. Políticas de EJA demandam comunicação, convocação, mobilização, motivação, o que não acontece no Brasil – apesar de a Lei de Diretrizes e Bases dizer que o governo tem de fazer chamada pública. Com os meios de comunicação que temos hoje, isso poderia ser feito por mensagem de celular, rádio, televisão e internet. O governo, no entanto, apenas publica no Diário Oficial que as matrículas da EJA estão abertas. Obviamente, a repercussão é muito baixa.
ÉPOCA - Qual é a terceira hipótese?
Maria Clara - A inadequação da política pública, a começar pelo financiamento insuficiente. Apesar de a EJA estar incluída no Fundeb, ela tem o mais baixo fator de ponderação, ou seja, é a que menos recebe recursos do financiamento. Uma matrícula em EJA vale 80% do que vale a matrícula de um aluno na primeira fase do ensino fundamental urbano, que tem o maior fator de ponderação. Isso incentiva muito pouco o dirigente de ensino a investir nessa modalidade educacional, já que o adulto estudante custa a mesma coisa ou mais que uma criança ou um adolescente. Outro fator é o padrão de colaboração intergovernamental inadequado. Qual a lógica do MEC [Ministério da Educação]?  Ele cria programas como o Brasil Alfabetizado ou o Pronatec [Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego], e os governos estaduais e municipais optam ou não por aderir a eles. Aqueles que quiserem receber recurso federal para implantar uma iniciativa têm de aderir ao programa completo. Esse é um problema, a meu ver. O pacote inteiro pode não ser adequado ao contexto daquela região, daquele município. Cada um desses programas tem um formato, uma lógica e requer uma burocracia de gestão. Alguns municípios pequenos, com sistemas de administração precários, muitas vezes não têm condições de cumprir a burocracia exigida. Isso ocorre com o Brasil Alfabetizado. Uma bolsa para o alfabetizador que pode ser atrativa no Piauí não é em São Paulo.


ÉPOCA - Qual seria a saída para tornar os programas mais acessíveis?
Maria Clara - Seria o caso de mudar a lógica, de não ter mais programas pré-formatados. Seria bom se os municípios pudessem aderir a um projeto e formatá-lo com um pouco mais de liberdade, de acordo com seu contexto.
ÉPOCA - Essa dinâmica mais flexível tem riscos? Ao dar mais liberdade aos Estados e municípios, não fica mais difícil fiscalizar e acompanhar a eficácia do programa?
Maria Clara - Como o governo federal faz a regulação dos recursos dele? Por meio de um sistema centralizado chamado Simec [Sistema Integrado de Monitoramento Execução e Controle].
Desde que o então ministro Haddad lançou, em 2007, o Plano de Desenvolvimento da Educação [PDE], o modelo é o seguinte: o município ou o Estado adere ao PDE e faz um Plano de Ações Articuladas [PAR]. Depois, põe esse Plano de Ações Articuladas lá no Sismec e pede, por exemplo: “Para eu conseguir ampliar educação na zona rural, preciso comprar um ônibus”. Aí ele recebe o recurso e tem de prestar contas. Além disso, os alunos da rede pública são sujeitos a uma avaliação que indica o Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica] da rede em que estudam. É outra forma de regular a eficiência do ensino.
Esse é, basicamente, o sistema de regulação que o Ministério da Educação criou. Ele vale para a educação infantil, para o ensino fundamental e para o ensino médio, mas não para a EJA. Ela está fora desse sistema de fiscalização, seus alunos não são sujeitos a avaliações. Os municípios, por exemplo, quando assumem o compromisso de aderir ao Plano de Desenvolvimento da Educação [PDE], a única coisa com que se comprometem em relação à EJA é manter um programa de alfabetização de adultos. É pouco. Deveriam assumir o compromisso de lhes garantir educação básica e formação profissional. Assinam isso e nem sequer são monitorados. Se não cumprem esse compromisso, não são punidos, e continuam recebendo os recursos. Que fique claro: não estou dizendo que os alunos devam fazer a mesma prova que as crianças fazem. Estou dizendo que a fiscalização e o estímulo do governo federal à EJA deveriam ser mais efetivos.
ÉPOCA - A senhora poderia citar um exemplo de Estado ou município que não tem uma atuação satisfatória em Educação de Jovens e Adultos (EJA)?
Maria Clara - Conheço alguns que não têm programa de alfabetização e não são punidos. O governo do Estado de São Paulo, por exemplo. Ele não faz nada para superar o analfabetismo desde 1996. Empurrou a responsabilidade para os municípios. É claro que municípios maiores, como Ribeirão Preto, Campinas e Santos, não precisam dessa ajuda do governo do Estado. Mas há municípios pequenos com índices de analfabetismo nordestinos. Falta uma indução mais efetiva dessa colaboração entre governos. Enfim, é preciso remunerar melhor e cobrar mais as atuações em EJA.
ÉPOCA - E qual é a última hipótese?
Maria Clara - 
O quarto grande eixo de hipótese tem a ver com a qualidade da EJA. Numa cidade como São Paulo, que tem uma escola em cada esquina, por que adultos não estudam? Eles têm dificuldade em compatibilizar trabalho e escola. Ainda mais onde se perde muito tempo com deslocamentos. Além disso, quais as ofertas de estudo disponíveis? Escolas somente noturnas, com carga horária rigorosa e currículo escolar. O currículo dialoga muito pouco com a cultura e com a necessidade de formação desse perfil de estudante. Enquanto alguém quer terminar os estudos para fazer um curso técnico, outro quer estudar para acompanhar melhor o desenvolvimento dos filhos na escola ou para ler a Bíblia. Um modelo de oferta de educação que reproduz a escola da criança e do adolescente não os atrai. 
ÉPOCA - Por que não os atrai?
Maria Clara - Apesar de não terem escolaridade completa, os jovens e os adultos têm uma bagagem cultural, uma vivência maior. Desenvolveram estratégias de resolução de problemas, têm experiência profissional, construíram uma família. O currículo para eles tem de ser mais flexível.

ÉPOCA - Qual seria um modelo de ensino adequado às necessidades desse perfil de estudante?
Maria Clara - O modelo da escola pública espanhola La Verneda, de Barcelona, é um exemplo. Ela oferece aulas para adultos num sistema em que você pode acumular créditos numa área de conhecimento que mais lhe interessa, em ritmos variados. Isso não viola o marco curricular da educação geral e da educação de adultos. A escola fica aberta de manhã, à tarde e à noite e tem módulos interdisciplinares com duração de três a quatro meses. Assim, fica mais fácil adequar os estudos de acordo com seus interesses e possibilidades. Se você tem uma escola exclusiva para a Educação de Jovens e Adultos, fica mais fácil adequar a lógica da organização escolar às necessidades dessa população.
ÉPOCA - O sistema educacional brasileiro tem estrutura para implantar um modelo como esse?
Maria Clara - A questão é que estamos muito presos a esse modelo do ensino supletivo. Até porque a regulamentação de ensino é bastante rígida. Se você observar a seu redor os adultos com baixa escolaridade que poderiam se matricular na EJA, fica óbvio que os percursos e os currículos que lhes interessariam seriam muito diversificados.

ÉPOCA - Pensando especificamente na EJA, como a senhora enxerga a possibilidade de estudar à distância?
Maria Clara - Acho que devemos usar os recursos tecnológicos como meios auxiliares e complementares de ensino, mas tenho muitas restrições a esse sistema. Estudos mostram que autodidatismo é um conjunto de habilidades e competências pouco comum entre pessoas com baixa escolaridade. Elas têm baixos níveis de letramento, pouca vivência escolar e, portanto, não exercitaram método de estudo independente. Mesmo no ensino superior, a educação à distância tem taxas de abandono altíssimas. É difícil ter disciplina de autoaprendizagem. Fora que, em videoaulas, não há interação. Acho que todo mundo precisa de interação para se desenvolver.
ÉPOCA - Qual a importância de investir em Educação de Jovens e Adultos?
Maria Clara - A importância da EJA vai além da lógica do mercado. Não é só para qualificar mão de obra para acelerar o desenvolvimento do país. É especialmente importante para a formação da cidadania. A educação estimula a participação efetiva das pessoas na vida política e cultural, incentiva a relação positiva entre as gerações. São os jovens e os adultos que votam e educam as crianças. A lógica de investir nas novas gerações e esperar os mais velhos morrerem é equivocada. Não é possível esperar as crianças crescerem para o país se desenvolver.

Paulo Freire está entre os três teóricos mais citados no mundo

De acordo com a Google Scholar – ferramenta de pesquisa para literatura acadêmica –, o educador, pedagogo e filósofo brasileiro, Paulo Freire, é o terceiro pensador mais citado do mundo em trabalhos acadêmicos de universidades de humanas.

A pesquisa, realizada pelo professor Elliot Green, indica que o brasileiro foi mencionado 72.359 vezes. O filósofo Thomas Kuhn está em primeiro lugar, com 81.311 citações, e logo em seguida o sociólogo Everett Rogers, com 72.780.



Paulo Freire ganhou o prêmio de Educação pela Paz, da UNESCO

A obra de Freire, Pedagogia do Oprimido, está entre os 100 livros mais solicitados em universidades de língua inglesa pelo mundo, sendo a única brasileira a entrar na lista. O livro discute a contradição entre opressores e oprimidos e de como é necessário criar uma ação para solucionar essa oposição. Veja um trecho abaixo:

”Somente quando os oprimidos descobrem o opressor, e se engajam na luta organizada por sua libertação, começam a crer em si mesmos, superando, assim, sua “convivência” com o regime opressor. Se esta descoberta não pode ser feita em nível puramente intelectual, mas da ação, o que nos parece fundamental é que esta não se cinja a mero ativismo, mas esteja associada a sério empenho de reflexão, para que seja práxis”.

Paulo Freire, portanto, não é referência só no Brasil. É reconhecido internacionalmente e já foi homenageado com 29 títulos de Doutor Honoris Causa por diversas universidades, além de ter recebido prêmios como, por exemplo, o Educação pela Paz da UNESCO.