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domingo, 11 de março de 2018

EDUCAR CRIANÇA DE 0 A 3 ANOS EXIGE SENSIBILIDADE E DELICADEZA

*Por Suzana Macedo Soares

Nestes tempos de aceleração, onde a ansiedade está cada vez mais presente no mundo dos adultos e, consequentemente, atropelando de frente o ritmo orgânico da criança pequena, é preciso refletir sobre o que fazer para modificar este quadro. Afinal, esta fase dos três primeiros anos, conhecida como primeiríssima infância, é fundamental para o desenvolvimento global harmonioso do ser humano.
O contato com a criança pequena precisa ser delicado e ao mesmo tempo atencioso. Por meio de uma observação cuidadosa, é possível perceber algumas reações aos cuidados, mesmo em bebês muito pequenos. São sinais sutis perceptíveis por meio de movimentos corporais, crispações da pele, expressões do rosto, expressões sonoras, que trazem informações de como o bebê está recebendo os cuidados e, mais do que isso, de que forma ele consegue participar destes momentos. Além de muita calma é preciso fazer pausas na ação de cuidar, para que estas reações apareçam.

Segundo a médica húngara Emmi Pikler, que desenvolveu uma abordagem específica para a educação de crianças de 0 a 3 anos, os momentos de cuidar são excelentes oportunidades para a construção do vínculo afetivo. Para que isso ocorra, as tarefas de cuidar não podem ser realizadas de maneira rápida e mecânica, ao contrário do que acontece em muitos espaços coletivos de bebês. A constância nos cuidados, assim como a regularidade de tempo e espaço criam o clima de confiança necessário para que a criança sinta segurança e possa participar desta relação e aproveitar a experiência.

Os estímulos táteis são acompanhados de falas com voz suave, explicando de forma clara e simples o que está se passando e antecipando o que vai acontecer a seguir. Quando o adulto educador fala sobre a parte do corpo que está sendo tocada, ajuda o bebê a construir seu esquema corporal, que é a experiência imediata da unidade dos segmentos do corpo e a posição que se ocupa no espaço. O esquema corporal é resultado da organização cognitiva e afetiva de cada pessoa e é construído e reconstruído pelas contínuas alterações da posição do corpo no espaço.

Emmi Pikler e sua equipe ensinam, também, a importância de realizar gestos delicados, não interromper uma atividade de cuidado, considerar as necessidades individuais e reagir a cada manifestação das crianças. As diferentes sequências de cada atividade de atenção pessoal se realizam sempre de forma igual, como uma “coreografia dos cuidados”, mas o fato do adulto se manter sempre presente na atividade impede que o ato se torne mecânico.

Uma criança cuidada desta forma se sente segura e confiante no adulto e pode se aventurar a brincar de forma livre, explorando objetos com diferentes qualidades táteis e exercendo os movimentos necessários para seu desenvolvimento neuropsicomotor.

Fases do brincar

Segundo a Abordagem Pikler, as crianças pequenas que brincam de forma espontânea passam por fases distintas. Ainda no berço, a criança brinca com o próprio corpo: mãos, pés e a própria voz. Ao armazenar sensações e informações colhidas na exploração do espaço e dos brinquedos, a criança constrói as bases necessárias para o desenvolvimento da capacidade de pensar. E assim, ela aprende a aprender.

A abordagem Pikler recomenda que o bebê seja colocado sempre de barriga para cima, em uma superfície firme, posição que favorece os movimentos corporais.

Olhar ao redor

O bebê explora visualmente o ambiente ao seu redor. Com isso, fortalece a musculatura do pescoço e organiza os movimentos da cabeça, em função dos estímulos visuais e auditivos que o entorno oferece.

Explorar as próprias mãos

No início, as mãos se movimentam sem controle, desaparecem e voltam a ser visíveis novamente. O fato do bebê perceber que elas podem ser controladas gera interesse e satisfação. Ele passa a pegar um objeto, mas ainda não é capaz de largá-lo. O acaso ainda predomina.

Alcançar o brinquedo desejado, pegar nas mãos e movê-lo

Nesta fase o bebê já pode exercer a iniciativa de escolher com que objeto brincar.

Usar as duas mãos


A criança passa o brinquedo de uma mão a outra, com simetria e sincronicidade.

Estudar objetos

A criança toca o brinquedo, empurra, balança e observa o efeito que é produzido. Os brinquedos podem escorregar, bater, tremer, rolar, fazer barulhos etc.

Brincar com dois brinquedos simultaneamente

Coloca dois objetos em relação. Observa diferenças, proporção, características, formatos, etc.

Entre 9 e 12 meses a criança tem o impulso de colocar objetos menores dentro dos maiores e perceber o que cabe dentro do que. Ela experimenta e percebe as posições no espaço, tendo as primeiras noções de dentro / fora; em cima / embaixo / ao lado; junto / separado.

Nesta fase ela começa a colecionar objetos com uma atitude “científica”, seguindo o resultado das suas ações, comparando com o resultado imaginado e modificando, se necessário, para encontrar gestos mais efetivos.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Folha de São Paulo: Reportagem Tetê

Olha quem está no jornal Folha de São Paulo de hoje?
A Tetê relata que passou 15 anos tentando aprender a ler e escrever até conhecer a professora Jany Dilourdes Nascimento.


quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Professor da UNB cria site que disponibiliza obras em português de filósofos africanos

Para incrementar a cultura africana nas escolas e universidades brasileiras, Wanderson Flor do Nascimento, professor de filosofia da Universidade de Brasília (UNB), criou um site educativo, com obras literárias de filósofos africanos. A página Filosofia Africana se concretizou graças a um estudo realizado por ele, que encontrou como barreira a dificuldade de acesso aos materiais. Segundo o educador, a maioria dos títulos estão disponibilizados apenas em inglês ou francês. Em entrevista ao Jornal de Brasília, Wanderson conta sobre a idealização do projeto e explica como o material contribui para a formação dos estudantes e admiradores da cultura africana.



1- Como que você sentiu a necessidade de aprimorar a filosofia africana nas escolas e universidades brasileiras?
Desde 2003, quando a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) foi modificada pela lei 10.639, determinando que conteúdos de história e cultura africana e afro-brasileira estivessem presentes em todo o currículo do ensino fundamental e médio, me dediquei a pensar de que maneira a filosofia cumpriria sua parte neste imperativo legal. Como pouco sabemos sobre o continente africano, sua história, sua cultura e, sobretudo, seu pensamento, me coloquei na tarefa de buscar na filosofia africana elementos que pudessem ser trazidos para um diálogo com os currículos brasileiros de filosofia, que têm uma forte presença do pensamento europeu.

2 – Quando surgiu a ideia de criar o site?
Comecei a buscar traduções para os textos sobre filosofia africana, já tão pouco conhecidos, onde surgiu a ideia de disponibilizá-los, reunidos em um único espaço, com o objetivo de facilitar que os professores do ensino médio acessem os materiais para, também, subsidiar suas aulas sobre filosofia africana e, assim, atender ao que a LDB determina. O site foi ao ar no final de agosto de 2015, reunindo traduções publicadas, artigos produzidos no Brasil e na Europa, em língua portuguesa.

3 – E a necessidade de diálogo dentro de sala de aula trazendo à tona a filosofia africana e brasileira?
Essa necessidade surge quando eu percebo que a formação docente para o ensino de filosofia ficaria prejudicada se não fornecesse elementos para que estudantes pudessem ter contato com um conhecimento que lhes seria exigido quando estivessem lecionando no Ensino Médio. E, além disso, na medida em que eu ia conhecendo melhor a produção filosófica do continente africano, percebi que a presença de reflexões produzidas no continente negro deveriam ser estudadas em qualquer disciplina da graduação na qual eu discutisse filosofia. Uma maneira de fazer com que se conheça algo, é tornando rotineiro o contato com este algo. E, assim, vou inserindo a filosofia africana nos conteúdos das disciplinas que leciono na UnB.

4 – Qual a importância da filosofia africana para a educação no Brasil?
Trazer a filosofia africana para a educação brasileira aumenta o repertório de reflexões com o qual estudantes têm contato, ajuda a compreender as continuidades e descontinuidades entre o pensamento que produzimos aqui e o que se produziu e produz na África, fazendo com que possamos entender o que esse continente nos legou e, sobretudo, nos ajudou a desconstruir o racismo velado que paira sobre nossa sociedade, uma tarefa de cidadania.

5 – O que você acha que pode ser feito para implementar o estudo da filosofia africana dentro das salas de aula?
A formação docente é um elemento fundamental para essa implementação. É muito complicado demandar dos professores em sala de aula que trabalhem com um assunto sobre o qual não têm nenhum percurso ou formação. A produção de materiais em nossa língua é outro ponto importante, seja na inserção nos livros didáticos que são utilizados nas escolas, seja com a tradução de materiais que possam servir para que docentes e estudantes se aproximem do pensamento filosófico africano.
A inserção da história e da cultura africana e afro-brasileira daria um substrato que facilitaria a aproximação com a filosofia africana.

6 – Para você, quais filósofos africanos são mais importantes para a nossa cultura brasileira?
Em nosso atual estado, quando conhecemos tão pouco sobre a filosofia africana, penso que quanto mais filósofos e filósofas do continente africano nós conhecermos, melhor para nossa cultura. Então, nesse contexto, posso falar das filósofas e filósofos que têm me ajudado a pensar as questões sobre as quais pesquisei, que são o sul-africano Mogobe Ramose, o camaronês Jean-Godefroy Bidima, as epistemólogas e antropólogas nigerianas Oyèrónké Oyěwùmí e Ifi Amadiume, os moçambicanos José Paulino Castiano e Severino Ngoenha e tantos outros.Tais pensadores trazem reflexões instigantes para pensarmos os temas da subjetividade, da identidade, das relações entre história e política, do gênero e do enraizamento africano para pensar a diáspora.

7 – Existe alguma possibilidade dos navegantes compartilharem livros/artigos ou textos no site?
Sim. No site há uma seção chamada “partilhando olhares” onde as pessoas enviam mensagens e, também, fazem referências a trabalhos publicados sobre a temática do espaço virtual. Vários dos materiais que estão ali, entre livros e artigos me foram encaminhados por suas autoras e autores. Toda a contribuição é totalmente bem vinda!

8 – O que você espera com a divulgação do site e do projeto de pesquisa incluso nele?
Eu espero que os materiais sejam úteis e que as pessoas possam buscar o site mais vezes para subsidiar suas pesquisas e suas aulas. E espero também que em breve outros espaços virtuais possam disponibilizar outros materiais e que as editoras se interessem mais pela publicação de obras filosóficas africanas ou sobre as filosofias africanas.


Fonte: http://www.jornaldebrasilia.com.br/clica-brasilia/professor-da-unb-cria-site-que-disponibiliza-obras-em-portugues-de-filosofos-africanos/
Reportagem: Ícaro Andradeicaro. andrade@jornaldebrasilia.com.br

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Gravação do Jornal da TV Cultura com a Tetê

Gravação do Jornal da TV Cultura com a Tetê.
Partir de algo significativo para o aluno, proporcionar escritas de uso social, pensar a própria história de vida sem infantilismos é tratar com respeito o Direito que um adulto ou idoso tem de se alfabetizar.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Vídeo: A História da Tetê No Programa Mais Caminho

O Mais Caminhos está sempre em busca de histórias de vida incríveis. Conheça a história da Tetê, uma senhora que aprendeu a ler e escrever aos 82 anos de idade. Além disso, ela é artista. O talento está nas suas telas feitas com tecido de chita, expostas diversas vezes em galerias de arte.

Lembramos dos tantos milhões de jovens, adultos e idosos brasileiros que não sabem ler e escrever, então deixamos aqui a História da Tetê que aprendeu a ler e escrever aos 82 anos e hoje é uma artista.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Reportagem: Educação de Jovens e Adultos: princípios e práticas pedagógicas – 2016

Objetivo do documento é oferecer aos educadores que atendem a EJA temas e reflexões que dialoguem com o fazer diário.
A Divisão de Orientação Técnica da Educação de Jovens e Adultos (DOT-EJA), da Secretaria Municipal de Educação, apresenta para a Rede Municipal de Ensino de São Paulo o documento Educação de Jovens e Adultos: princípios e práticas pedagógicas – 2016.

Este documento, construído coletivamente, reflete esforços, pensamentos, experiências, conhecimentos e sonhos dos educadores que atuam na DOT-EJA, nas Diretorias de Orientação Técnico-Pedagógicas (DOT-Ps), na Supervisão Escolar das Diretorias Regionais de Educação (DREs), nas unidades educacionais e nos espaços educativos com EJA, levando em conta, também, a escuta e as experiências das regiões e territórios da cidade.

Seu objetivo é oferecer aos educadores que atendem a EJA temas e reflexões que dialoguem com o fazer diário, apontando caminhos que inspirem a construção do Projeto Político- Pedagógico que leve em conta as especificidades da Educação de Jovens e Adultos, servindo como elemento constitutivo e constituinte de práticas pedagógicas significativas. A ideia é que estas reflexões sirvam de disparador de novas possibilidades de estudo e planejamento para os educadores na perspectiva da construção de uma prática que considere o perfil do educando.

Neste Documento, o educador encontrará também temas e reflexões sobre o currículo da EJA, uma descrição do percurso formativo da DOT-EJA e DREs e a dinâmica estabelecida na Formação Inicial do MOVA-SP – 2014.

Clique aqui para acessar o documento Educação de Jovens e Adultos: princípios e práticas pedagógicas – 2016.

Reportagem: Sobe número de estudantes por sala de aula na rede pública de SP, diz estudo

Levantamento mostra que houve aumento de matrículas em 2016 ante 2015 e que governo estadual fechou ao menos 2,7 mil salas no mesmo período.

Por Caio Zinet, do Centro de Referências em Educação Integral
O número de alunos por sala nas escolas da rede pública de ensino do estado de São Paulo voltou a subir em 2016, revertendo tendência de queda observada desde 2007. Os dados fazem parte de uma pesquisa elaborada pela Rede Escola Pública e Universidade que reúne professores e pesquisadores em política educacional de diversas entidades de ensino superior de São Paulo.
Entre 2007 e 2015 houve uma redução no número de alunos por sala em todos os níveis. No Fundamental I (1º ao 5º) a redução foi de 31,3 para 27,4. Nos Fundamental II (6º ao 9º) o número de estudantes em cada turma foi reduzido de 35,4 para 30,3. No Ensino Médio a redução foi de 36,6 para 32,5 jovens por classe.
O estudo aponta que, no entanto, essa tendência pode estar em processo de reversão. Nos anos iniciais do Fundamental, a quantidade de alunos por sala subiu de 27,4, em 2015, para 27,5 em 2016. Já nos anos finais houve aumento de 30,3 para 31; no Médio houve o maior acréscimo: de 32,5 para 35,6.
Ampliação de alunos
Um dos motivos apontados pelos pesquisadores é a Resolução nº 2 da Secretaria Estadual, publicada no Diário Oficial do Estado em janeiro deste ano, que permite ampliar em até 10% o limite no número de alunos por sala de aula. As turmas do ciclo Fundamental poderão ter 33 e 38 estudantes por sala nos anos iniciais e finais, respectivamente. No Ensino Médio o teto é de 44 estudantes por turma, e no EJA 49 alunos.

Outro motivo apontado pela pesquisa é a redução no total de escolas que ofertam vários ciclos de ensino. “Isso significa que diminuiu o número de unidades escolares que a população tem à sua disposição, e que a oferta escolar está, em comparação com 2015, mais concentrada em um número menor de escolas”, aponta o estudo.

Por último, os pesquisadores também identificaram que foram fechadas 2776 classes de 2015 para 2016, apesar do número de alunos ter crescido no mesmo período. Para realizar o estudo, os pesquisadores solicitaram por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) dados da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo. A partir das informações recebidas, concluíram que houve aumento de demanda e a resposta do governo foi fechar salas e ampliar o número de estudantes por unidade da rede.

No Fundamental I a variação de matrícula foi negativa em 628 estudantes e foram fechadas 184 salas. Na modalidade II desse mesmo ciclo houve uma redução de 26,4 mil nas matrículas e foram fechadas cerca de 2 mil turmas em todo o estado.

“Mesmo no Fundamental, em que houve recuo de 27 mil alunos matriculados, a diminuição registrada de 2,1 mil salas foi abrupta, implicando também no aumento do número de alunos por sala nessas modalidades”.

No Ensino Médio, o governo fechou 645 salas mesmo com um incremento de cerca de 70 mil matrículas. Apenas no EJA houve um aumento de 19 salas classes, ainda assim um número tímido diante do crescimento de 16,5 mil novos estudantes.

Observou-se, em 2016, um incremento de aproximadamente 70 mil matrículas no Ensino Médio e de 16 mil matrículas na Educação de Jovens e Adultos (EJA), o que demandaria a abertura de novas salas de aula. Entretanto, ao invés disso, ocorreu a diminuição de 645 salas de aula no Ensino Médio e um aumento muito pequeno de 16 salas de EJA, implicando em aumento do número médio de estudantes por sala nessas etapas e modalidades”, afirma o documento.

Demografia

Ano passado o governo tentou implementar uma reorganização escolar. Os estudantes secundaristas ocuparam centenas de unidades da rede e barraram o processo que deveria ser discutido pela sociedade este ano.

Um dos alicerces que justificavam as mudanças era a queda na demanda pela escola pública. Segundo a Secretaria, com base em levantamento realizado pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), havia uma tendência de queda de 1,3% ao ano da população em idade escolar no estado. Entre 1995 e 2015, a rede teria perdido quase 2 milhões de alunos, afirmou a Secretaria em texto que justifica a necessidade da reorganização.

Para eles, a redução do número de crianças e jovens em idade escolar ocorrerá, mas num ritmo absolutamente inferior ao da última década.A partir desses dados, o governo estadual resolveu colocar em prática uma política de redução de salas e fechamento de escolas para os próximos anos. Os pesquisadores, no entanto, questionam os dados usados pelo governo de Geraldo Alckmin (PSDB).

Segundo os pesquisadores, a própria Fundação Seade projeta, para 2030, uma população entre 6 e 17 anos de 6,8 milhões. “Isso implica uma redução de 300 mil pessoas, o que demonstra uma forte desaceleração em relação aos anos recentes”, afirma o documento.

Ao final, os docentes fazem uma pergunta chave para o debate. “Considerando que a tendência demográfica (ondas), o fluxo escolar e a migração inter redes não indicam de modo consistente uma tendência de redução de demanda educativa, ao que se soma o estoque de pessoas com baixa escolaridade a serem atendidas pela EJA, como se explica a redução do número de salas em 2016, sem que tenha ocorrido expressiva redução nas matrículas?”, finalizam.

Reportagem: Apesar do aumento no número de matrículas em 2016, SEE-SP diminui o número de salas de aula nas escolas

Dados apontam aumento de 60 mil matrículas e diminuição de 2800 salas de aula em 2016 na rede estadual paulista
Fonte: Rede Escola Pública e Universidade

Pesquisadores da Rede Escola Pública e Universidade, constituída por docentes de diversas universidades públicas do estado, divulgaram dados que mostram que, apesar do compromisso do Governo do Estado de suspender o processo de reorganização das Escolas Estaduais paulistas, há em curso um processo de redução de salas de aula, configurando uma possível “reorganização silenciosa” das escolas. O assunto será discutido neste sábado (16 de abril) em um Colóquio organizado por essa Rede para debater o tema.

A Rede Escola Pública e Universidade foi criada por um grupo de professores e pesquisadores da USP, Unicamp, UFABC, Unifesp, IFSP e UFSCar motivados pelos acontecimentos de 2015, em que os estudantes realizaram numerosos protestos e ocupações de escolas contrapondo-se à reorganização proposta pelo governo. O objetivo do grupo é realizar estudos, pesquisas e intervenções, visando ampliar o debate sobre a qualidade de ensino na rede estadual de ensino.

A primeira ação desta rede será a promoção do Colóquio Reorganização em Debate. As políticas educacionais e os movimentos de resistência, no dia 16 de abril próximo, no Auditório Marcos Lindemberg - Edifício de auditórios da Unifesp, na Rua Botucatu, 862 na Vila Clementino, das 8h30 às 17h3. O objetivo será discutir, sob diferentes perspectivas, o processo de implantação da reorganização da rede e as resistências à sua efetivação, considerando questões como a gestão democrática, a demanda social, direito à educação e sua qualidade. As inscrições são gratuitas e já estão abertas no site da Unifesp http://www.unifesp.br/reitoria/proex/index.php/acoes/cursos-de-extensao-....

Neste evento, serão apresentados e debatidos os dados coletados pela Rede e que indicam a possibilidade de que a Secretaria Estadual de Educação esteja realizando uma “reorganização silenciosa”. Os pesquisadores analisaram os dados do cadastro das escolas da rede estadual, obtido da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo através da Lei de Acesso à Informação, e compararam as situações de 2015 e 2016 em relação a número de alunos, de turmas e de escolas que oferecem cada ciclo de ensino. Os resultados estão resumidos na Tabela 1 abaixo:

Tabela 1. Variação no número de matrículas, classes e escolas na rede estadual, ensino presencial, estado de São Paulo, 2015-2016


Observou-se, em 2016, um aumento de aproximadamente 70 mil matrículas no Ensino Médio e de 16 mil matrículas na Educação de Jovens e Adultos, o que demandaria a abertura de novas salas de aula. Entretanto, ao invés disso, ocorreu a diminuição de 645 salas no Ensino Médio e um aumento muito pequeno de 19 salas da EJA, implicando em aumento do número médio de alunos por sala nessas etapas e modalidades. Mesmo no Ensino Fundamental, em que houve um recuo de 27 mil alunos matriculados, a diminuição registrada de 2100 salas foi muito mais abrupta, implicando também no aumento do número de alunos por sala nessas modalidades. Com o aumento da lotação das turmas, há uma possível precarização da qualidade de ensino.

Além disso, o levantamento apurou também em 2016 uma diminuição do número de escolas que oferece as diversas modalidades de ensino (exceto no que diz respeito ao Ensino Médio, em que houve um aumento de 8 escolas). São 23 escolas a menos que oferecem as séries iniciais do Ensino Fundamental, 5 escolas a menos nas séries finais do Ensino Fundamental e 39 escolas a menos na Educação de Jovens e Adultos. Isso significa que diminuiu o número de unidades escolares que a população têm à sua disposição para matricular os filhos, e que a oferta escolar está, em comparação com 2015, mais concentrada em um número menor de escolas.

Fonte: Rede Escola Pública e Universidade

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Reportagem: Revista Nova Escola

Olha só gente a Revista Nova Escola colocou o nosso curso na agenda do site.

http://rede.novaescolaclube.org.br/evento/e-agora-pro-curso-para-professores-alfabetizadores-iniciantes


"E agora, Prô?” - Curso para professores alfabetizadores iniciantes



A proposta é compartilhar boas práticas alfabetizadoras e auxiliar, de forma dinâmica, os professores recém-formados a transpor o conhecimento teórico da psicogênese da língua escrita para prática da sala de aula.

Serão três aulas/módulos semanais e um evento web pós curso para troca de experiências. As temáticas abordadas são seguintes:

1. Temas/conceitos
  •  Leitura, Escrita e Processos de Aprendizagem na Alfabetização
  • Diferentes concepções de alfabetização.
  • Analfabetismo funcional.
  • Importância da alfabetização e do sucesso escolar na vida das pessoas.
  • Estratégias de leitura.
  • Evolução das hipóteses sobre a escrita alfabética.
  • Transposição da teoria do conhecimento para atividades práticas de alfabetização.

2. Conhecimento Didático
  • Critérios de seleção, organização e sequenciação dos conteúdos de alfabetização
  • Uso do conhecimento prévio do aluno em favor da alfabetização. (diagnósticos)
  • Papel das interações produtivas entre os alunos na aprendizagem inicial da leitura e da escrita.
  • Critérios de agrupamento de alunos para o trabalho didático de alfabetização.
  • Possibilidades de intervenção pedagógica em situações de ensino e aprendizagem inicial de leitura e escrita.
  • Modelo metodológico de resolução de problemas na alfabetização.
  • Orientações didáticas para a alfabetização.
  • Formas de organização dos conteúdos escolares para otimizar o uso do tempo e atender aos objetivos de ensino e aprendizagem: atividades permanentes, atividades sequenciadas, atividades independentes e projetos.
  • Gêneros textuais adequados ao trabalho pedagógico no período de alfabetização.
  • Materiais didáticos úteis para o ensino e a aprendizagem inicial de leitura e escrita.
  • Propostas de gestão da sala de aula, especialmente quando há níveis heterogêneos de conhecimento em relação ao sistema de escrita.     
3. Competências profissionais

Espera-se que professores que alfabetizam crianças, jovens e adultos , por meio da ação-reflexão-ação progressivamente possam: 
  1. encarar os alunos como pessoas que precisam ter sucesso em suas aprendizagens para se desenvolver pessoalmente e para ter uma imagem positiva de si mesmos;
  2. desenvolver um trabalho de alfabetização adequado às necessidades de aprendizagem dos alunos, acreditando que todos são capazes de aprender;
  3. reconhecer-se como modelo de referência para os alunos: como leitor, como usuário da escrita e como parceiro durante as atividades;
  4. observar o desempenho dos alunos durante as atividades para fazer intervenções pedagógicas adequadas;
  5. planejar atividades de alfabetização desafiadoras, considerando o nível de conhecimento real dos alunos;
  6. formar agrupamentos produtivos de alunos;
  7. selecionar diferentes tipos de texto, que sejam apropriados para o trabalho;
  8. utilizar instrumentos de registro do desempenho e da evolução dos alunos, de planejamento e de documentação do trabalho pedagógico.
Sobre a facilitadora:


Jany Dilourdes Nascimento Mestra pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (2009), graduada em Pedagogia pela mesma instituição. Atuou como coordenadora estadual do Programa TOPA/BA (Todos pela Alfabetização) na área da Educação de Jovens e Adultos como assessora do Instituto Paulo Freire. Atuou como professora do curso de Pedagogia da Faculdade de Vargem Grande Paulista (UNIESP). Também trabalhou como coordenadora pedagógica do NEA-USP (Núcleo de Educação de Jovens e Adultos e Formação Permanente de Professores da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, exerceu o mesmo cargo no Alfasol (Programa Alfabetização Solidária), assumiu a tutoria no Pec (Programa de Educação Continuada) em nível superior para professores da rede Estadual de Educação), prestando vários outros serviços de assessoria a municípios por intermédio da Fundação de apoio a Faculdade de Educação (FAFE/USP).

Reportagem: Conheça o Curso “E agora, Prô?”

Educadora cria curso para professores iniciantes

Jany Dilourdes Nascimento não esquece o primeiro dia em que entrou numa sala de aula como professora, em 1994: “Deu um friozinho na barriga ao entrar e ver aquelas 30, 35 crianças olhando para mim. Mesmo que você tenha feito estágio, se preparado bem, a cabeça está cheia de dúvidas e expectativas. Agora é você e eles. E o melhor é que seja com eles”, conta.

E foi pensando nessa experiência, nas dificuldades que encontrou em busca de uma relação equilibrada entre aluno e professor que ela idealizou o curso E agora, Prô?, voltado para professores (alfabetizadores) iniciantes. Sua ideia é capacitar quem está começando a lecionar, mas também atender quem já dá aulas e quer se reciclar. “Como trabalho há um bom tempo com essa área, muitos colegas e alunos sempre me pedem para ajudá-los, principalmente neste momento em que temos que lidar com crianças expostas a muita informação antes de serem alfabetizadas”, explica Jany.

E agora, Prô? é composto por três aulas, sempre aos sábados, na sede da Planetária Casa de Comunicação, em São Paulo. O programa é dividido em Temas e Conceitos, Conhecimento Didático e Competências Profissionais (veja o programa e informações detalhadas sobre o curso neste link). A primeira turma começou no dia 5/3. Mas, quem ainda tiver interesse em integrá-la ou já se inscrever para as próximas turmas deve entrar em contato com Maria Zulmira de Souza (Zuzu), sua diretora.

Este é o primeiro curso organizado pela Planetária Casa de Comunicação para professores iniciantes e já há outros em seu planejamento. “Percebemos que tanto professores iniciantes como professores já experientes sentem falta de um espaço de reciclagem e troca de informações”, explica Zuzu. “Além dos iniciantes, muitos profissionais que estão em salas de aula hoje são especialistas nas suas áreas, mas nem sempre dominam as melhores técnicas para compartilhar seu conhecimento. E este é um espaço para essa troca”.

Alfabetizar é uma paixão, não importa a idade do aluno



e-agora-pro-educadora-cria-curso-para-professores-iniciantesA educadora paulistana é mestre em educação pela USP (Universidade de São Paulo) e tem grande experiência na formação de professores alfabetizadores, tanto para crianças como para jovens e adultos. Foi coordenadora pedagógica do programa TOPA – Todos pela Alfabetização, na Bahia, pelo Instituto Paulo Freire e também do NEA – Núcleo de Educação de Jovens e Adultos e Formação Permanente de Professores da Faculdade de Educação da USP.

Alfabetizar é uma profunda paixão para Jany, não importa a idade. Ela circula bem entre crianças, jovens, adultos e também entre idosos como Tetê Brandolim, que ajudou a realizar o sonho de ler e escrever aos 82 anos. Com esse trabalho tão amoroso, Tetê viu o mundo se ampliar e se tornou artista plástica. Hoje, vende suas colagens em várias cidades pelo Brasil. Três de suas obras moram em Boston, na casa do brasileiro Antonio Gomes. Mas esta é outra história, que vou contar em breve, aqui, no Conexão Planeta.

Foto: Geralt/Pixabay
Mônica Nunes
Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo,saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

Matéria Publicada no Site Conexão Planeta.
Link: http://conexaoplaneta.com.br/blog/e-agora-pro-educadora-cria-curso-para-professores-iniciantes/